As redes sociais têm viralizado ultimamente as piadas em torno dos institutos de pesquisa de intenção de voto. A dificuldade de retratar a real opinião dos eleitores baseia-se, principalmente, na volatilidade de opiniões (hoje você pode preferir um candidato e semana que vem outro), mas, principalmente, na forma como a amostra é selecionada (se você seleciona toda sua amostra no bairro elitizado ou toda ela numa vila, as conclusões poderão ser opostas). A arte de selecionar uma boa amostra chama-se amostragem. O rigor com que essa amostragem é feita determina a confiabilidade da pesquisa. Por que não selecionamos mais eleitores em uma pesquisa? Basicamente por dois motivos: tempo e custos.
Após a fase de amostragem, chegamos à etapa de cálculos. Nela, através de algum software, calcularemos a medida desejada, normalmente uma média, ou, no caso das eleições, uma proporção. Ocorre que quanto maior a variabilidade, maior será o erro de previsão. Há ainda o índice de confiança, que é outra medida de incerteza das previsões, normalmente fixado em 95%. Agrava a situação, em última análise, o fato de qualquer variação percentual mudar o resultado da eleição. Portanto, nesse caso, precisão é fundamental.
Não se limitando ao caso em voga no momento, as aplicações desse assunto são praticamente infinitas. Desde a intenção de compra de um novo produto a ser lançado, o índice de qualidade de um carro sendo fabricado, até a opinião das pessoas sobre serviços prestados pelo governo.
Concluo e atrevo-me: as aplicações da Estatística são de ordem infinita; finito é o nosso conhecimento sobre essas possíveis aplicações.
Por Júlio Henrique Ely Zibetti, mestrando em Estatística (UFRGS), e-mail: [email protected]